Cruzeiro do Sul (eu nem ia postar nada hoje, mas me vi obrigado) Hoje, 28 de junho de 2011, se Raul Seixas fosse vivo completaria 66 anos. Não vi isso em nenhum jornal, já que jornal hoje em dia só presta pra falar de morte, políticos de papo furado e Copa 2014 (que se continuar assim, vai ser um fiasco) e se esqueceram de lembrar de coisas como essa, afinal, gostem ou não, Raulzito foi um dos maiores cantores da música brasileira
O que eu sei sobre ele daria um post muito longo, então vou tentar ser breve: Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador, onde cresceu com a família. Gostava muito de seu único irmão, Plínio e desde cedo se interessava por leitura, tanto que no começo da adolescência ele vivia envolto em um universo particular, fazia várias anotações reflexivas, aliás, a música "Metamorfose ambulante" foi escrita a partir de uma frase semelhante ao verso "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo" que ele escreveu no seu quarto, e também fazia histórias em quadrinhos que eram lidos por seu irmão. Começou a abrir sua mente graças ao fato de viver próximo a um consulado americano, onde conheceu pessoas vindas da América e acabou tendo acesso a algo até então quase desconhecido no Brasil: o Rock através de discos de grandes nomes, entre eles Elvis Presley. Então, criou um grupo de meninos rockeiros, e depois chegou a formar uma banda que teve vários nomes, mas no seu ápice se chamava Raulzito e os Panteras (seu nome artístico no começo era Raulzito). Foram tentar a vida no Rio de Janeiro, onde gravaram um disco com o nome da banda, mas não fez sucesso e Raul chegou a passar fome (e ele relata isso em um verso da música crítica "Ouro de Tolo"). Mas nessa fase, ele conheceu o cantor Jerry Adriani, de quem sua banda foi banda de apoio por um tempo.
Após um tempo, a banda se desfez e Raul voltou à Bahia. Mas a amizade com Jerry Adriani mudou o rumo da carreira do garoto, pois Jerry o chamou novamente à cidade maravilhosa onde ele conseguiu o emprego de produtor musical na gravadora CBS (hoje Sony BMG). Lá Raul produziu os discos de grandes nomes da jovem guarda e compôs grandes sucessos de alguns deles. Mas o que ele queria mesmo era cantar e se increvem em um festival de música com a música "Let me sing, let me sing", que misturava rock e baião (a outra paixão musical dele e que ele utilizou em várias caanções). Tempos depois gravou seu primeiro disco solo e o primeiro que ele assinou como Raul Seixas (vale lembrar que antes era Raulzito), Krig Ha, Bandolo! Desde então começou a marcar presença na música brasileira.
Curiosidades: Raul Seixas conheceu Paulo Coelho quando este escrevia artigos sobre discos voadores em uma revista. Raul, que lia essa revista, procurou-o e propôs a parceria bem-sucedida, da qual um saiu como um dos maiores cantores e o outro um dos maiores escritores do país.
Após ter se exilado nos EUA devido à tentativa de criar uma "Sociedade Alternativa", vista como subversiva (e Raul era mesmo subversivo), no Brasil tinha ficado um trabalho inacabado chamado "Gîtâ", o qual a gravadora lançou e vendeu 600 mil cópias. O governo se viu obrigado a deixá-lo voltar.
Ao contrário do que quase todos pensam, no começo da carreira (quando ainda era chamado de Raulzito) suas músicas eram bem diferentes da sua fase madura, tendo um estilo bastante conservador semelhante ao de alguns rockeiros americanos e ficaram quase desconhecidas. Outra coisa importante desta fase era seu visual: também conservador e sem barba, que aliás é sua marca registrada (embora tenha ficado sem barba durante um período de quando já fazia sucesso). Ele próprio afirma que só aprendeu a fazer músicas do jeito que ele gostava e o público aprovava após trabalhar em uma gravadora. E é verdade, todas suas músicas de sucesso (inclusive muitas que outros artistas interpretavam) e seu visual "tô nem aí pro que os outros pensam" surgiram após ele começar a trabalhar na gravadora CBS. E sei do que estou falando, mesmo porque meu pai (que é o dono do bar e não eu) tem o CD "Raulzito e os Panteras" e, tirando a voz inconfundível, nada lembra o que ele fez depois.
Casou-se várias vezes, teve problemas com alcoolismo e drogas (mas as drogas ele largou já no final de sua vida e fez a canção "Não quero mais andar na contramão" se auto-satirizando), lutou contra problemas de saúde, principalmente pancreatite (que foi apontada como causa de sua morte) e é acusado por muitos como satânico, algo que é desmentido por pessoas que foram próximas dele. O que realmente aconteceu é que ele era muito culto e que se interessava muito por filosofia, metafísica, etc. e gostava de estar descobrindo coisas novas, e por isso estava sempre experimentando coisas novas, o que fez com que ele descobrisse coisas diferentes e tentasse repassar o que sabia para o público, e como suas letras mais conhecidas são bastante complexas, o que faz com que muitos pensem que tem mensagens subliminares ou que fazem apologia ao satanismo. A verdade é que esta figura singular da música brasileira (talvez até mundial) se destacou por fazer o que ninguém mais tinha coragem de fazer e dizer o que ninguém mais dizia em suas músicas de forma tão clara e às vezes sarcástica e ganhou muitos inimigos, mas também um número bem maior de fãs, seguidores e adeptos de sua filosofia de que não devemos ser "como as pedras imóveis na praia" como ele dizia em "Medo da chuva", e hoje, 22 anos após ele ter feito sua última viagem ele parece vivo par milhares de pessoas. Apenas alguns poucos artistas com muito talento podem se dar a esse luxo, ele não será jamais esquecido, afinal, além de cantor e compositor, ele foi gênio, ele foi defensor de que o ser humano deve se libertar, ele foi filósofo.

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