Cruzeiro do Sul - Ac ( nem lembro quanto tempo faz do meu post anterior. Quando tive assunto faltou tempo e quando tive tempo faltou assunto) Eu comecei a refletir um pouco sobre reality shows quando começou a nova fase do reality de quinta categoria A Fazenda, mas de ontem pra cá comecei tive a inspiração que me faltou nos últimos tempos e fuçando a web só pra passar o tempo achei sem querer mais argumentos pra falar do assunto.
Vamos ao que interessa. Na década passada a televisão brasileira foi tomada por um estilo diferenciado de programa, um programa onde rolava de tudo, e o mais interessante: sem roteiros nem atores contracenando, em suma, a vida real (hipoteticamente) na tela da TV sem ser em telejornais sensacionalistas sedentos de ganhar audiência com a desgraça do próximo. Esse tipo de programa surgiu já faz um certo tempo, mas só no final dos anos 90 é que começou a ganhar espaço pelo mundo. E ainda em 1999 chegou por aqui o que é considerado por muitos o primeiro da televisão brasileira: o No Limite, em que vários participantes inicialmente divididos em dois grupos tinham que sobreviver em uma área inabitada onde deveriam contar apenas com os recursos naturais e a cada semana quem vencesse provas organizadas pela produção ganharia alimentos e até utensílios úteis. Aos derrotados cabia fazer uma votação para eliminar um integrante. Mas a explosão mesmo veio em 2001 com a Casa dos Artistas, com o SBT acusado pela Globo de plagiar o formato do Big Brother, que a própria emissora recusou a comprar, mas o fato é que a Casa dos Artistas foi na prática muito diferente do que a gente aqui no Brasil conhece do programa idealizado pela Endemol. E o fato de que a Casa dos Artistas realmente foi um sucesso no começo e deu dores de cabeça ao Plim-Plim.
Hoje os tipos de reality shows ao redor do mundo são vários e aqui no Brasil não é diferente, por isso só darei ênfase aos que se destacaram, entre eles o Popstars, que revelaria um grupo pop feminino e as vencedoras formaram o grupo Rouge que estourou nas paradas de sucesso, mas a versão masculina não foi o mesmo êxito e o grupo ficou aquém do que se esperava. Depois teve o Ídolos, que tem boa audiência, mas não formou artistas relevantes, o que foi mais longe até agora foi Leandro Lopes, vencedor da primeira edição ainda no SBT, que tocou bastante as músicas "Manias e defeitos" e "Nosso amor é assim" e depois conseguiu ser vocalista do grupo de axé Rapazola e fez relativo sucesso com a bela canção "Aqui é seu lugar" (que era uma das minhas músicas preferidas até aquele bosta do Luan Santana começar a estourar também com essa música e eu hoje não consigo mais ouvir porque a música perdeu o encanto) e não sei por onde anda atualmente. Agora só se fala no reality A Fazenda
Eu já assisti e fui grande fã de reality shows, mas nos últimos tempos tenho sofrido constantes mudanças no meu jeito de ser e pensar e nessa minha nova fase não pretendo seguir curtindo esse teatrinho de gente grande. Eu percebi que não sei no resto do mundo, mas aqui no Brasil a qualidade desses programas vem em curva descendente ano a ano. O SBT foi punido pela queda dessa qualidade e a Casa dos Artistas perdeu audiência mesmo sendo reorganizada e saiu do ar, mas por incrível que pareça, ocorreu o oposto no BBB, que nas primeiras edições era interessante, mas se encheu de marketing, merchandising, divisões dentro da casa em bem e mal (eu até que gostei do 5 e do 8 por causa dessas guerra internas) e a pior de todas as transformações: com o tempo a casa começou a ser tomada por estereótipos no lugar de pessoas, ou você acha coincidência ter existido em quase todas as edições (senão todas) pelo menos um homossexual, uma pessoa de classe média alta ou rica, uma pessoa mais metida a durona do que os demais, uma pessoa que prefere jogar o jogo do que se relacionar com os outros participantes, um casal caliente dentro da casa que lá fora não vinga (alguns deram certo, mas foram aqueles que passaram quase despercebidos), triângulos amorosos, um membro que acaba taxado de vilão e que é eliminado com mais de 90% de rejeição, entre outros.
Na Fazenda acontecem coisas que desafiam a lógica do telespectador e até o senso comum, como por exemplo, a eliminação precoce dos favoritos e a vitória de alguém polêmico ou pouco conhecido, o que faz-se pensar até onde é verdade o que é organizado no programa. O jogo não seria uma armação onde já sabia-se que iria ganhar antes do começo? No Big Brother a controvérsia recorrente é de que a Globo manipula a opinião do público para dar o prêmio ao participante escolhido por eles (curiosamente eu assisti as 10 primeiras edições e só me lembro de uma edição onde a vencedora me surpreendeu, afinal era pobre, feia e não tinha muito destaque como outros da casa, e na segunda edição, onde o favorito não chegou perto da final, mas o vencedor era o segundo favorito, ainda assim foi curioso que a vice não tinha popularidade alguma, mas chegou à final por ter escapado de paredões). Só sei que na Fazenda, que tem ganhado mais (assim como nos BBBs mais recentes) são os patrocinadores, destaque para uma montadora de carros coreana medíocre que se passa por gigante. Uma montadora que não tem a qualidade dos carros japoneses, alemães, italianos, franceses e americanos (você sabe de quem eu tô falando e antes de me criticar eu respondo que essas montadoras fazem os melhores carros, o problema é que a maioria delas vende modelos ultrapassados ou propositalmente feitos para serem de 2ª qualidade para terem preços competitivos em países cheios de pé-rapados como o nosso) mas aproveita-se de subsídios ilegais do governo coreano para vender seus carros de design deformado mais baratos que os das concorrentes e ainda persuadir pessoas com seu marketing agressivo e em tom arrogante. A verdade é que o reality show virou uma forma de gerar marketing e visibilidade aos patrocinadores com uma realidade inventada de pano de fundo. Um jogo de interesses onde quem produz ganha, quem participa ganha, quem patrocina ganha e o público perde, pois surgiu mais uma de tantas formas do quarto poder - a imprensa - dominar a mente da população brasileira.
Um filme lançado em 1998 é a principal sátira a esse movimento, curiosamente antes dele ganhar força, portanto um filme de certa forma profético em relação ao que viria logo depois. O nome do filme é "O Show de Truman: o show da vida" e além disso satiriza alguns produtores televisivos ambiciosos e nos dá um ideia do poder da mídia sobre todos nós. Sem dúvida recomendo que leia o link que encontrei no site Wikipédia (lembra que eu disse no começo do post que encontrei por acaso motivação pra escrever esse post? Pois foi fuçando nesse site clicando em nomes de filmes, pessoas, etc. que eu faço de vez em quando que achei isso, e, lógico, recomendo o filme, com uma bela atuação de Jim Carrey, que mostrou ao mundo que não é bom ator apenas em comédias nesse filme.
Segue o link que fala detalhadamente desse filme .



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